XVIII Edição do Festival das Papas de Sarrabulho de Amares – Uma iguaria ímpar da culinária portuguesa

As papas de sarrabulho constituem um dos pratos mais caraterístico do Minho e estão intimamente ligadas à matança do porco que acontece, por regra, durante os meses frios e sombrios do Inverno e que constituía um momento muito importante de convívio e partilha entre vizinhos e amigos.

A matança do porco obedecia a rituais e crenças e mitos, como aliás acontecia com  a maioria das festas populares.

Entre as crenças que perduraram até hoje, e para que  “a  festa  não seja estragada”, a lua deverá  estar em quarto crescente,  deverá estar bastante frio e a morte do porco não deve ser presenciada por crianças e ou pessoas que sintam pena do animal  podendo dar “azar à matança” pelo fato do animal não ter morte imediata como  é desejável.

 

A partilha de partes nobres  do porco pelos vizinhos, amigos e familiares, permitia usufruir de carne fresca durante todo o Inverno, nos tempos em que ainda não havia formas de a conservar pelo frio.

Segundo alguns historiadores, as papas de sarrabulho remontam à Idade Média altura em que a Europa, assolada pela peste negra , não produzia alimentos em quantidade suficiente para alimentar a população que se socorria  das farinhas e do pão e temperadas a gosto, onde os cominhos não podem faltar.

Apesar de constituírem um alimento altamente “saciante”, as papas de sarrabulho não são “monstros alimentares”, como se pode comprovar pela composição nutricional média, por 100g::

Proteínas: 14,48g

Gorduras: 5,15 g

Hidratos de Carbono: 14,1g

Valor calórico: 162 Kcal

Colesterol: 34mg

Escrito Por Dr. Sérgio Cunha Velho, Nutricionista da CAMPE – Centro Médico de Braga e do Hospital Pediátrico de Coimbra